Mostrar mensagens com a etiqueta Exposições/ Inauguração. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Exposições/ Inauguração. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

JOSÉ PEDRO CROFT | DOIS DESENHOS, UMA ESCULTURA | Inauguração 18 Outubro 2012


A exposição Dois Desenhos, Uma Escultura, que o José Pedro Croft concebeu para a galeria Appleton Square, desenvolve-se nos dois espaços de que esta dispõe: o piso térreo, onde está instalada uma escultura, e o piso inferior, consignado ao desenho.
A escultura foi trabalhada para o espaço da galeria num jogo de poder equilibrado entre a posição determinada pela montagem e os diversos pontos de vista que num único momento se revelam como um desmultiplicador desse mesmo espaço e um caleidoscópio da escultura sobre si mesma.
No desenho, a utilização da cor é sujeita a um tratamento exaustivo, levado até ao limite entre a densidade cromática do fundo pré-existente, estampas provenientes das edições de gravura, que Croft reintroduz no seu processo de trabalho e que tal como a sua escultura exigem uma disponibilidade total do corpo e do espaço. 






sábado, 22 de setembro de 2012

APPLETON RECESS #3











APPLETON RECESS #3
JORGE PINHEIRO I ÂNGELA FERREIRA I NUNO DA LUZ

INAUGURAÇÃO | 19 Setembro 2012, às 22h
20 Setembro – 06 Outubro 2012
APPLETON RECESS é um ciclo de exposições colectivas assente em premissas curatoriais que privilegiam o encontro entre gerações de autores, programas artísticos e meios de produção distintos. A cada edição serão apresentadas obras de três artistas, cuja selecção pretende estabelecer um diálogo – por vezes mesmo um confronto – entre peças especificamente desenvolvidas para este evento e outras que recuperam alguma da produção menos acessível 
das últimas décadas da arte portuguesa. Todas as exposições serão acompanhadas por uma publicação que reúne textos, ensaios visuais ou outra documentação, e que se assume como um corpo autónomo que procura ampliar ou complementar a experiência expositiva.

No âmbito da sua terceira edição, o projecto Appleton Recess contará com a participação dos artistas Jorge Pinheiro, Ângela Ferreira e Nuno da Luz.

De Jorge Pinheiro será apresentado um conjunto de obras sobre papel, datadas dos anos 70, cedidas para a exposição pela Fundação Ilídio Pinho, no Porto. No caso de Ângela Ferreira apresenta-se uma instalação, até esta data inédita no contexto nacional (tendo sido exposta unicamente, em Londres, no âmbito de uma feira de arte), pertencente à Colecção da Fundação Leal Rios, em Lisboa. Em articulação com estes dois núcleos, apresenta-se ainda uma obra nova, da autoria de Nuno da Luz, produzida especificamente para o contexto da exposição a convite do projecto Appleton Recess, e que contará, no evento da inauguração, com a apresentação da sua componente performativa.


Curadoria: Ana Anacleto e Bruno Marchand







Apoios


terça-feira, 29 de maio de 2012

FILIPE ALARCÃO / PARTÍCULA

Next at Appleton Square

Filipe Alarcão | Partícula | Inauguração 28 Junho | 28 Junho - 28 Julho






terça-feira, 10 de abril de 2012

APPLETON SQUARE | 5th BDay | 10 Abril 2012















Muito Obrigado!

http://www.appletonsquare.pt/exposicoes/5anos/index.html



Exposições:
EMPTY CUBE
Julião Sarmento"Auto-retrato/Self Portrait"
10 Abril | 21h30 - 23h30
Apresentação única

Nuno Sousa Vieira

Inauguração 3 Maio às 22h
3 Maio – 2 Jun
Terça a Sábado
15h - 20h


Cursos:
Ciclo Sobre Lisboa 2012
Bairros de LisboaCoordenação: João Appleton / José Sarmento de Matos
30 Abril – 4 Jun
Segundas
18h30 - 20h30

JULIÃO SARMENTO | EMPTY CUBE | 10 Abril

terça-feira, 3 de abril de 2012

Apresentação | Patrícia Machás "a ilha de Morel" | Concerto: Ricardo Jacinto / Manuel Mota / David Maranha | Quinta-feira, 5 Abril às 22h

“a ilha de Morel”Patrícia Machás

Concerto
Ricardo Jacinto – Violoncelo
Manuel Mota – Guitarra eléctrica
David Maranha - Violino

05 Abril às 22h00


A Appleton Square tem o prazer de anunciar a apresentação de “a ilha de Morel” de Patrícia Machás, com música ao vivo de Ricardo Jacinto - Violoncelo, Manuel Mota – Guitarra eléctrica e David Maranha – Violino, filme e concerto integrados na exposição Tríptico de David Maranha + Manuel Mota, quinta-feira 5 de Abril às 22h00.
Esse é também o último dia em que a exposição estará patente.








quarta-feira, 28 de março de 2012

Insolação de Manuel Pereira + Wintering de Margarida Garcia

Insolação de Manuel Pereira + Wintering de Margarida Garcia 

30/03 às 22h00

A Appleton Square tem o prazer de anunciar a apresentação de Insolação de Manuel Pereira e Wintering de Margarida Garcia, dois filmes integrados na exposição Tríptico de David Maranha + Manuel Mota, sexta-feira 30 de Março às 22h00.


Movente e Dormente | Pedro Tropa + Joana Falhas + Teresa Santos

Movente e Dormente
Pedro Tropa + Joana Falhas + Teresa Santos

23/03 às 22h00
25/03 às 18h00


A Appleton Square tem o prazer de anunciar a apresentação Movente e Dormente | Pedro Tropa + Joana Falhas + Teresa Santos no âmbito da exposição tríptico de David Maranha + Manuel Mota, dia 23 de Março às 22h00 e 25 de Março às 18h00.




Tríptico | David Maranha + Manuel Mota

David Maranha + Manuel Mota
Tríptico

Inauguração 09 Março 22h00
09 Março a 05 Abril

David Maranha e Manuel Mota têm desenvolvido ao longo dos últimos sete anos um trabalho conjunto caracterizado por um universo particular, mais incidente no campo da música.
A peça "tríptico", que habitará as duas salas da Appleton Square, é o resultado dessa mesma parceria regular mas, através de meios diversos, explora um outro território.
Possui uma pulsação essencial, mas em permanente transformação no decurso da exposição, apresenta tempos distintos. A cada um destes tempos corresponde uma apresentação realizada em colaboração com artistas convidados.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Miguel Horta | Troncos e marés

Inauguração 13 Janeiro às 22h00
13 Janeiro a 04 Fevereiro




Comunicação pictórica - sinais, símbolos, imagens e cores sobre uma superfície plana - é uma das mais antigas e mais ricas de invenções humanas, como a escrita ou a música. Tudo começou nas rochas, em superfícies de jarros de barro e nos fios tecidos dos têxteis, e passou em seguida para as paredes, painéis de madeira, cobre e tela. Agora inclui ecrãs plasma, photoshop e novelas gráficas. Mesmo assim, a pintura sobre uma superfície portátil continua a ser um dos meios mais eficientes e íntimos de auto-expressão.
Roberta Smith, New York Times, 26 de Março 2010

Pintar nos dias de hoje acarreta uma enorme responsabilidade. A história da pintura, as suas consecutivas mortes e renascimentos, não deixa de estar presente em cada quadro criado. E já muito foi pintado. Miguel Horta tem esta situação muito presente quando inicia um novo trabalho, contudo afirma "a pintura é a minha coluna vertebral".
Depois de uma prolongada ausência do circuito expositivo, Miguel Horta regressa com a exposição "Troncos e Marés", uma nova série que se distancia da estética das obras anteriores. No novo conjunto de trabalhos apresentados, afasta-se do minimalismo e serialismo que dominava o seu trabalho para entrar numa figuração que quase se aproxima da ilustração no traço.

Troncos são os principais protagonistas destas pinturas, mas troncos que ganham uma dimensão humana. O ponto de vista está dentro do corpo, diz Leibniz. E é esse mesmo ponto de vista que Miguel Horta apropria. Em cada tela, cuidadosamente desenhada e esculpida, os troncos encarnam diferentes dimensões humanas viajando do abandono à loucura, da sobrevivência à morte. É sempre o tronco enquanto corpo que habita um espaço, o ponto de partida.
Entende-se assim como, no trabalho de Miguel Horta (que apesar intrinsecamente pintor, trabalha também como mediador cultural), a árvore é concebida como um símbolo do ser-se humano. Escreve o artista: "entendo como se podem constituir como metáforas da nossa própria existência, também com cabeça tronco e membros. Leio os matizes e a involuntária expressão dos rudes golpes sobre os ramos. Inevitavelmente, algum deste sentimento vegetal irá parar à minha pintura." Sentimento vegetal transformado aqui em energia vital, em dinamismo do pincel e em dramatismo visual. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Tomaz Hipólito | draw_03

Inauguração 15 Dezembro às 22h00
15 Dezembro a 07 Janeiro





















Desenhar um quadrado

Num célebre e importante texto, Didi-Huberman, na tentativa de identificar as forças mais actuantes na escultura de Toni Smith, pergunta: O que é um cubo? Nesta pergunta, claramente vocacionada a deslindar o jogo essencial da escultura minimalista, pode-se, com bastantes salvaguardas e cuidados, substituir o cubo por outra forma geométrica e transformá-lo, por exemplo, num quadrado. E a resposta é: "É uma figura de construção, mas presta-se interminavelmente aos jogos da desconstrução, sempre propício, por montagem, a reconstruir alguma coisa. Portanto, a metamorfosear. A sua vocação estrutural é omnipresente, virtual; mas também virtual é a sua vocação de dispersão noutras associações, noutras associações modulares ­— que constituem parte integrante da sua própria vocação estrutural." G. Didi-Huberman, O que nós vemos, o que nos olha, ed. Dafne, Porto, 2011

Portanto, este cubo resgata a forma geométrica de um universo puramente formal e abstracto e transforma-a em matéria de inquietação e de interpelação humana: uma forma num processo de permanente transformação, num continuo devir corpo, devir mundo, devir sensação. E aqui devir é um tornar-se.
Servem estas linhas para introduzir os "Desenhos" de Tomaz Hipólito. A sua aparência minimal parece inscrever estes trabalhos num universo exclusivamente formal, frio, sem sangue, mas depois descobre-se um jogo de corpos: o corpo do artista, o corpo do desenho projectado na parede e, finalmente, o corpo abstracto tal como se materializa nos desenhos sobre papel. E é nesta triangulação que devem ser entendidas estas formas.
Os quadrados copiam a planta da galeria e esta replicação da arquitectura serve para o artista tornar consciente a espacialidade própria do seu corpo e do corpo da obra. A utilização do seu corpo permite tornar estas obras mais reais e redime-as do seu aparente formalismo: são quadrados tornados órgãos, tornados arquitectura, tornados acontecimentos espaciais. 

Andar às voltas com um quadrado não é uma redundância, mas é ver essa forma como princípio construtivo e uma espécie de estrutura de pensamento. Simultaneamente, é uma experiência com os limites expressivos em que ver e tornar conscientes esses limites permite destruir a sua aparente simplicidade formal e no seu lugar surge um intenso universo de formas que derivam do quadrado inicial. Esta derivação não é uma replicação a partir de uma matriz, mas um devir e uma metamorfose. O seu ponto de ancoragem é uma experiência do espaço e, sublinhe-se, da presença do corpo no espaço: esta é a experiência que alimenta a transformação da imagem e guia a manipulação do corpo no interior da imagem projectada.

Esta exposição consiste num único desenho e na repetição de uma única forma ou um único objecto que surge sob diferentes aspectos. Um recurso que permite descobrir-se uma espécie de gramática do desenho de um quadrado a qual consiste não só na exploração da descrição dos diferentes modos de construir uma forma, mas também da apresentação da geometria como condição do olhar. Assim, esta exposição de Tomaz Hipólito é sobre a descoberta que a simplicidade do desenho de um quadrado é só aparente, atrás dessa aparência surgem questões acerca da espacialidade, da figuração, da composição e, sobretudo, uma inquietação acerca do modo como se constroem imagens e representações. Processo e pesquisas estes que têm como natural conclusão que uma imagem nunca é simplesmente só uma imagem e que uma forma nunca é simplesmente só uma forma: diante de nós revelam-se detentoras de profundidade, espessura, densidade e sempre de uma história.

Nuno Crespo
Dezembro 2011

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Ana Pérez-Quiroga

Inauguração: Sexta-feira 14 Outubro às 22h00
Patente até 12 Novembro
...
Curadoria João Silvério


 
















The world in its true colors/ O mundo nas suas verdadeiras cores, 2011

Este projeto de Ana Pérez-Quiroga propõe-nos uma ação participativa que expõe o fator económico – fundamental em qualquer processo de materialização e transação de bens – numa relação direta entre o espectador/fruidor da obra de arte e a sua intervenção como agente de mercado, constituindo-se como agente do investimento económico necessário para a realização desta obra específica. O espectador assume assim uma condição dúplice no sentido em que é o motor financeiro e simultâneamente o meio de realização plástica e poética deste projeto.
João Silvério

A obra é constituída por 225 tiras de seda (100%) de 75 cores diferentes que se repetem 3 vezes. Cada tira de seda tem 36x200cm e tem bordado APQ em diferentes cores.
A obra divide-se em três conjuntos que formam uma totalidade. Um primeiro conjunto, que será vendido na integra a um colecionador, um segundo, pertencente à artista, e um terceiro cujas 75 tiras de seda serão vendidas à unidade. Cada tira de seda tem o preço de 60 euros.
Este terceiro conjunto tem por base uma ideia de sustentabilidade da arte, que passa pela convocação à participação ativa do espectador, que através da transação económica se torna simultaneamente co-autor e investidor.
O objectivo é o de chamar os espectadores a participar na construção da obra, como parceiros do projeto através da aquisição de uma tira de seda. Esta é então apropriada pelo comprador que, através do seu uso, confere uma nova dimensão ao objecto. A tira de seda pode ser emoldurada ou usada como écharpe e esta união entre pessoa e objecto recria-se numa “escultura viva”.
Ao adquirir a tira de seda o comprador está também a contribuir para o financiamento da obra, que irá ser finalizada na publicação de um livro. Os compradores enquanto grupo tornam-se assim investidores neste projeto.
Tendo em vista a posterior publicação de um livro, no ato de compra pede-se a cada participante para responder à pergunta: “Porque escolheu esta cor?” justificando assim qual a relação que tem com a cor escolhida. É também desejável, mas não obrigatório, que o participante se identifique. A identidade do comprador transforma-o em co-autor, como se de uma assinatura se tratasse.
A assinatura, única, permite a apropriação da tira de seda pelo comprador, agora co-autor. A obra continua a existir fora da galeria, contaminando o espaço público. A sua durabilidade contribui para a sua validação enquanto objecto artístico, no contexto de uma economia de mercado dentro da dinâmica da oferta e da procura.
A compra da tira de seda é o ato performativo pelo qual o comprador se torna co-autor e investidor. A partir deste momento o co-autor / investidor pode levar a sua tira de seda.
Enquanto investidor, o comprador, vai possibilitar a concretização de um livro de artista com a tiragem de 225 exemplares. O livro incluirá o mapeamento cromático dos 75 participantes (resposta à pergunta: “Porque escolheu esta cor?”), os textos do curador, do gestor cultural e da artista.
Os co-autores partilham com o autor a responsabilidade do projeto artístico. Não só adquirem uma peça e um livro, como são eles que através de um processo económico dão sentido à obra. A tira de seda percorre uma série diferenciada de estados - o objecto de produção industrial, a obra exposta, o registo do processo em livro – devido à ativação de vários procedimentos e tomadas de decisão do autor e dos seus co-autores que se associam pelo ato da compra.
Ana Pérez-Quiroga

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Aires Mateus | Voids











©HOUSE IN SÃO BRÁS, SERRA DO CALDEIRÃO, AROEIRA
Biennale Architettura 2010 La Biennale di Venezia AIRES MATEUS VOIDS










Aires Mateus | Voids
Julho, 01 - Setembro, 17, 2011
Lançamento do livro VOIDS editado pela ATHENA 
15 de Setembro às 19h00 
Curadoria: Nuno Crespo

De Manuel Aires Mateus e Francisco Aires Mateus
Com a colaboração de Ana Bacchetta, Jorge P Silva, Josep Pons, Alice Dolzani

Praticar o Vazio

Voids [Vazios] é o nome da instalação que Manuel e Francisco Aires Mateus apresentaram em 2010 na 12ª Bienal de Arquitectura de Veneza. A exposição, comissariada por Kazuyo Sejima, com o título “people meet in architecture” explorava o modo como a arquitectura participa na criação de novos valores e modos de vida.

Para os Aires Mateus esta instalação não é sinónimo de uma proposta de acção, mas explora uma metodologia arquitectónica e desenvolve um pensamento: não estão em causa conteúdos específicos, formas concretas, gestos imobilizados na matéria ou o estabelecimento de tipologias e hierarquias. Neste contexto o Vazio, diferente do nada, apresenta uma possibilidade de desenvolvimento, um ponto de partida, um elemento de organização espacial e, sobretudo, uma vocação estrutural.

Trata-se de praticar o Vazio no espaço e neste aspecto estes gestos arquitectónicos aproximam-se dos da escultura minimalista. Na medida em que estes artistas souberam pôr em acção através dum cubo negro (T Smith), ou de placas de aço cortén (Serra), ou do jogo da conjugação de cubos (Sol LeWitt), uma construção espacial que se caracteriza não pela adição de formas, volumes e matérias, mas através do esvaziamento das estruturas espaciais mais elementares. Trata-se de um princípio de negatividade que combate o excesso de forma, presença, linguagem e expressão.

A instalação VOIDS é constituída por quatro massas brancas que emergem de uma noite negra e surgem aos corpos que as percorrem como golpes de luz a revelar territórios. Estes golpes de visibilidade não anulam a noite, mas obrigam à descoberta de uma dupla profundidade espacial: a de cada corpo humano, que pode transportar consigo a humanidade inteira e, ao contrário de muitas expectativas, a do próprio espaço enquanto construção plástica, sensível, energética, evocativa.

Pode dizer-se tratar-se de um plano que simultaneamente excede a arquitectura (enquanto estrutura material específica) e é a sua condição: uma espécie de meta-arquitectura que situa as suas formas além do princípio de visibilidade e do reconhecimento formal, material e funcional do que se vê. Por isso, nestes territórios não há casas, nem abrigos, nem construções, mas pontos de intensificação do olhar e de energização da paisagem.

Nuno Crespo
Julho 2011



Aires Mateus | Voids
From 1 July to 17 September







Book VOIDS, edited by ATHENA, will be launched on 15 September at 7p.m.

Curator: Nuno Crespo



by Manuel Aires Mateus and Francisco Aires Mateus
with the collaboration of Ana Bacchetta, Jorge P Silva, Josep Pons,


To Practice the Void


Voids is the title of the installation that Manuel and Francisco Aires Mateus presented in 2010 at the 12th Venice Architecture Biennale. The exhibition, which was curated by Kazuyo Sejima and entitled “people meet in architecture”, investigates the ways in which architecture participates in the creation of new values and modes of living.


For the Aires Mateus brothers, this installation is not synonymous with a proposal for action. Rather, it explores an architectural methodology and develops an idea: it is not a question of specific content, tangible shapes, gestures immobilized in matter or the establishment of hierarchies or typologies. In this context the Void, which is different from nothingness, offers a chance for development, a starting point, an element of spatial organization and, above all, a structural calling.


It is all about practicing the Void in space and in that respect these architectural gestures are close to those of minimalist sculpture in that the artists associated with that movement knew how to activate a spatial construction by means of a black cube (T Smith), or corten steel plates (Serra), or a play of juxtaposed cubes (Sol LeWitt), not by adding shapes, volumes and matter but by emptying out the most elemental spatial structures. We are faced with a negativity principle which fights against all excesses of shapes, presence, language and expression.


The installation VOIDS is composed of four white volumes which emerge from a pitch black night, appearing as flashes of light that reveal territories to the bodies passing through it. These flashes of visibility do not invalidate the night but force us to discover a dual spatial depth: that of each human body, which can carry within it the whole of humanity, and, contrary to most expectations, that of space itself as an artistic, sensitive, energetic, and evocative construction.


One could say that it is a plane which simultaneously exceeds architecture (as a specific material structure) and represents its very condition: a sort of meta-architecture which situates its shapes beyond the visibility principle and the formal, material and functional recognition of what is seen. Therefore, in these territories there are no houses, shelters, or constructions but points where the gaze is intensified and the landscape is energised.


Nuno Crespo
July 2011



Joao Louro | If we want things to stay as they are, things will have to change


























João Louro
If we want things to stay as they
are, things will have to change
Maio, 27 - Junho, 18, 2011


O Príncipe de Salina ensinou ao seu sobrinho Tancredi um moto para a vida: tudo tem que mudar para tudo ficar na mesma. O personagem de Il Gattopardo, o filme de Luchino Visconti a partir de Lampedusa, é o último de uma era e representa o fim de um ciclo da história, mas um fim que não é o da sua morte, mas o da sua sobrevivência.
A enorme ópera cinematográfica que o filme desenha possui uma qualidade verdiana, simultaneamente auspiciosa e marxisticamente enlevada pelos ventos da História e varrida pelo pó – fisicamente presente em todo o filme – sinal da morte como um fantasma autofágico e omnipresente.
A história que o filme conta, localizada em torno da unificação de Itália por Garibaldi no início da década de sessenta do século XIX, centra-se num personagem que decide compreender que a mudança é uma ruga da superfície da ordem das coisas, mas sabe que essa ordem do mundo é politica e, portanto, frágil. Pouco importa agora se o seu fascínio é o da meta-aristocracia, da hipotética ordem da qual participa também o marxista Conde Visconti – também ele um aristocrata no fio da navalha da mudança.
A sua humana e telúrica sabedoria pertence ao universo da radical imanência da morte, da grandiloquência da fragilidade do volátil.
Creio que é essa consciência trágica que fascina João Louro neste filme.

A exposição é construída a partir de um dialogo entre o aristocrata siciliano e o seu criado, o primeiro disposto a mudar para sobreviver e o segundo pronto a desaparecer na voragem do tempo para se manter. De facto, o dialogo que é reproduzido à volta da sala, ligado electricamente ao chão é o espelho de um conflito que nunca se expressa senão dentro da ordem da dialéctica do senhor e do escravo: o primeiro pode negar-se para que a morte da sua condição surja como inútil – e possa, portanto, sobreviver – e o segundo que tem que se manter, tenazmente, inflexivelmente, na sua condição porque é a sua única condição. Um pode renascer das cinzas da sua morte, enquanto que o outro só pode ser aquilo que é: alguém grato ao poder que o criou, desconfiado portanto do poder que o trai por mais que possa ambicionar participar dele.

A questão politica do filme é, assim, dúbia, ora fascinada com a vitalidade da revolução, ora mergulhada na melancolia aristocrática; ora tomada pela opulência da aristocracia ostentando o seu ocaso, ora olhando com desprezo para a miséria do gosto da burguesia nascente. A grande virtude politica do filme reside na irresolúvel contradição entre o fim e o “Rissorgimento”, entre o gosto sufocante do salão e a banda, o discurso, a sanfona e a trompeta, o pó e o voto. Tudo precisava de mudar, naquele tempo, para a sanfona continuar a lamentar-se e os tambores continuarem a rufar, a polka continuar a ser rodopiada e os salões se puderem suceder agora com a bandeira tricolor.
Creio que é essa irónica consciência trágica que fascina João Louro neste filme. Um dos momento fundamentais do filme acontece no baile, numa situação de sedução lisonjeira para o personagem principal, mas impossível de testar.
A sedução surge como um jogo que só pode ser jogado quando o seu desfecho é previsível e o erótico (tão bem assinalado pelo olhar de Cláudia Cardinalle) é uma quadrilha dançada com imensos requintes protocolares, no meio dos quais o mais pequeno desvio é uma espécie de condensador esperado.
O erotismo reside na sua inevitável impossibilidade pela proximidade do fim (do pequeno ou do grande, do que se inscreve no final de uma dança, numa despedida e no outro, derradeiro, na pequena morte ou na que prefere a maiúscula).
Creio que é essa erótica consciência trágica que fascina João Louro neste filme.

Na última sequencia do filme o seu protagonista, regressando a casa na noite de Palermo, cruza-se com um padre e o seu acólito que vão ministrar a extrema unção a um qualquer miserável. Ajoelha-se na rua à passagem do cortejo e levanta-se para inflectir por uma viela soturna e pouco iluminada. Não saberemos se mergulha na noite mais profunda, metáfora da sua morte inevitável; ou talvez aquela seja a viela onde morava a sua amante. A metáfora do mergulho na negritude da noite abre para esse fosso irónico entre o prazer e o abandono, entre a relatividade do apagamento e o apagamento de toda a relatividade.
Creio que é essa indecisa farsa trágica que fascina João Louro neste filme. Sei que é o que fascina na forma como imagino que estes fantasmas literalmente o assaltam.
Melhor: o que me interessa é a forma como responde ao seu assalto.


Delfim Sardo
Maio 2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Manuela Marques | Temporada


Manuela Marques
Temporada
Abril, 11 - Maio, 07, 2011

Ausência e permanência.

A exposição Temporada, que Manuela Marques apresenta na Appleton Square, é constituída por dois corpus do seu trabalho. O primeiro toma como ponto de partida a utilização do vídeo para criar uma abordagem performativa e inter-relacional no espaço. O segundo corpus, fotografia impressa, revela um tecido de ligações estreitas entre a pintura e o cinema.
Este breve enunciado não pretende estabelecer uma hierarquia no trabalho da artista. Em primeiro lugar, porque os meios que utiliza – a fotografia e o vídeo – se destinam a procurar relações diversas com o espectador, e em segundo, porque leva até ao limite uma possibilidade remota de objectivar o real. Ou seja, um contínuo questionar das condições da representação. Tomando o cinema como uma das referências essenciais ao seu processo de trabalho, a artista constrói cada uma das imagens desta exposição a partir de situações e ocorrências aparentemente banais. É nos enquadramentos que nos confrontamos com uma sensação de desconforto, muito próxima de uma ambiguidade que desterritorializa qualquer pista ou indício de uma narrativa possível. O que é representado encontra-se numa fronteira híbrida que se aproxima da abstracção e convoca o espectador a partilhar a impossibilidade de descrever ou documentar o acontecimento que a imagem sugere. Em todas as fotografias desta exposição existe uma luminosidade melancólica, como uma poética da ausência que nos afasta infinitamente da acção ou da personagem, mas que simultaneamente nos retém perante esta. Este afastamento (impossível) a que somos sujeitos está intimamente ligado a uma suspensão temporal determinada pela inexistente informação narrativa, pela falta de contexto, pela incompletude que trata o real como um campo de possibilidades da representação mas ao qual só é possível corresponder pela construção ficcional.
Contudo, esta questão do território – numa primeira instância do lugar e do momento – inscreve em si mesma uma inacessibilidade primordial, ontológica, presente em determinada figura ou elemento paisagístico. Como se a natureza destas imagens estivesse prestes a desagregar-se na impossibilidade que sentimos em estabelecer um diálogo entre o que é representado e a sua significação. As fotografias evocam a pintura como referente da composição, convocando o retrato como género estilístico em que a figura principal da imagem se destaca pela sua posição central no plano ou pela incidência da luz que conduz o olhar para o punctum da imagem. Um desses exemplos é o homem nu sentado na cama de olhos fechados. Outra figura humana é fotografada em duas posições semelhantes, sentada de costas sobre um relvado luminoso. Um ramo de árvore resiste à superfície da água de um rio ou junto à costa marítima. No interior de um bosque ergue-se uma figura isolada. A sua silhueta é indeterminada. Quase andrógina. 
De facto, em todas as imagens existe um olhar concentrado sobre um objecto, e o retrato como referente da pintura transforma-se imediatamente em algo transitório e mais próximo do cinema, revelando uma tensão entre a imagem e o espectador. Entre o que está dentro do campo da imagem e tudo o que resta, mas que, sendo inacessível, se encontra no limiar da imaginação do observador e da sua capacidade para resistir ao inominável ou irrepresentável. Aqui o espectador é o seu contra-campo, o outro da cena em que se inscreve a intimidade e o desejo. Como se fôssemos sujeitos a uma mediação em que somos parte do acontecimento e acolhemos interactivamente um certo grau de absurdidade e alienação presente nas imagens que nos integram.
Com uma estrutura de pensamento semelhante, em que o estatuto da imagem e a temporalidade são questionados, a instalação vídeo intitulada Grândola activa a memória e o reconhecimento, recontextualizando em tempo real a relação com o espaço e com a obra. Encontramo-nos de novo perante a ausência de uma narrativa: apenas nos é dada a possibilidade de religar sinais que nos permitam reencontrar um acontecimento político, a Revolução de Abril de 1974, e um dos seus símbolos mais significativos, a canção Grândola Vila Morena, da autoria de José Afonso. Na instalação vídeo, montada num espaço branco, com o mínimo de interferências visuais, regressamos de novo à utilização do retrato: um homem com o tronco desnudado assobia a melodia da canção de Abril. A presença e a circulação do espectador no espaço metaforizam aqui a ausência, dado que sem estas a obra de Manuela Marques é apenas determinada pela indicação do espaço de exposição. É como se não existisse e estivesse em suspensão. Desta forma, a ideia de interactividade está estreitamente ligada à permanência e ao trabalho do corpo. Esta relação é semelhante àquela que experienciamos perante as imagens fotográficas, construindo, através da nossa presença e do tempo que estamos dispostos a dispensar-lhes, as relações possíveis com os indícios que a artista desvela de um modo muito subtil.
O título Temporada é, para além de uma metáfora de um período de tempo que nos ocupa e nos predispõe para algo, uma advertência à nossa capacidade e disponibilidade para construir uma possibilidade da experiência.

João Silvério
Abril 2011


*Artista vencedora da sétima edição do prémio BES Photo.

quarta-feira, 30 de março de 2011

André Sier | k.

curadoria BYPASS
Inauguração 31 Março às 22h00

Março, 31 - Abril, 06, 2011



"k. reúne uma série de trabalhos em vários media, realizados desde 2007, em torno do imaginário kafkiano presente n'O Castelo. A série consiste na criação de espaços quase-infinitos, gerados estocasticamente através do computador, e na sua navegação.
Um labirinto aberto, infinito, onde o utilizador viaja através de terrenos em grelha e onde acumula quadrados que lhe permitem entrar em esferas, transportes para novas regiões, criados através de algoritmos que o podem aproximar ou afastar do castelo." André Sier


André Sier
Artista-programador. Destaca séries 'struct', '747', 'corrida espacial', 'k.', 'uunniivveerrssee', trabalhos imersivos em espaços abstractos, muitas vezes usando dados site-specific de microfones e câmaras, ou sintetizando experiências com matemáticas generativas e caóticas. Já exibiu código, instalações/objectos em portugal, espanha, usa, itália, alemanha, brasil, eslovénia, polónia.


s373.net/


terça-feira, 29 de março de 2011

EMPTY CUBE | Francisco Queirós

My body is the rock'n'roll temple

29 Março 2011- apresentação única 
22h00 às 23h00

Projecto curatorial de João Silvério
www.emptycube.org

Clipping
www.e-artnow.org
www.undo.net